Texto chinês
以道作人主者,不以兵强天下,其事好还:师之所处,荆棘生。
故善者果而已,不以取强。
果而勿骄,果而勿矜,果而勿伐,果而不得已,是果而勿强。
物牡则老,谓之非道,非道早已。
Tradução
Aquele que ajuda o senhor dos homens pelo Tao não deve subjugar o império pelas armas.
Qualquer coisa que se faça aos homens, eles retribuem.
Onde as tropas se alojam, crescem espinhos e cardos.
Após grandes guerras, há necessariamente anos de escassez.
O homem virtuoso golpeia decisivamente e para. Não ousa subjugar o império pela força das armas.
Golpeia decisivamente e não se vangloria.
Golpeia decisivamente e não se glorifica.
Golpeia decisivamente e não se envaidece.
Golpeia decisivamente e só luta por necessidade.
Golpeia decisivamente e não quer parecer forte.
Quando os seres chegam à plenitude de sua força, envelhecem.
Isso se chama não imitar o Tao. Aquele que não imita o Tao não tarda a perecer.
Notas
O senhor dos homens deve praticar o não-agir; mas, geralmente, aqueles que o ajudam (seus ministros) se entregam à ação.
As armas são instrumentos de infortúnio. Só devem ser usadas quando não se pode dispensá-las, por exemplo, para assustar aqueles que oprimem ou sacrificam o povo.
Esta frase tem o mesmo sentido que esta (conf. Meng-tseu, liv. I, p. 38): "O que vem de você, voltará a você"; ou seja, os homens retribuirão o bem ou o mal que você lhes fez. Se você gosta de matar os homens, os homens, por sua vez, o matarão.
A guerra é o maior infortúnio que pode acontecer ao império. Aquele que destrui a vida dos homens, que arruína os reinos, atrai a ira dos povos e o ódio dos demônios. Nunca escapa dos castigos que merece por sua conduta.
Quando os soldados permanecem muito tempo nos campos sem abandoná-los, os trabalhos agrícolas são abandonados, e os cardos crescem em abundância.
Ele trava uma batalha decisiva e para; não ousa buscar, pela força, tornar-se o senhor do império. A palavra 果 (decidir, golpear decisivamente) tem o sentido de vencer os "inimigos". Se alguém matar seu príncipe e incitar uma revolta, o sábio não pode se dispensar de ser o instrumento do céu para puni-lo de morte. Se alguém invadir as fronteiras e perturbar o povo, não pode se impedir de pegar em armas para detê-lo. Mas ele se contenta em mostrar uma vez sua força invencível e termina logo a luta.
Ele não ousa continuar o curso de seus sucessos, nem se apoiar na multidão, para tornar-se, pela força, o senhor do império.
Depois de punir os culpados e restabelecer a paz, não deve se vangloriar de sua habilidade nem se glorificar de seus feitos.
Se ele se apoiar na superioridade de seu poder para consolidar o reino, não se pode dizer que "ajuda pelo Tao o senhor dos homens". Aquele que venceu será necessariamente subjugado por sua vez; o que está florescente não falta a murchar. Tal é a natureza das coisas.
É porque o Tao é mole e fraco que pode subsistir por muito tempo. É por isso que, quando os seres (por exemplo, as árvores) chegam ao mais alto grau de sua força, começam a envelhecer.
Vê-se por aí que aquele que se tornou poderoso pelas armas não poderá subsistir por muito tempo. É por isso que aquele que sabe fazer a guerra deve (na ocasião) tomar uma decisão; mas não deve buscar dominar pela força das armas.
Se o homem se prevalece de sua superioridade, isso se chama se pôr em oposição ao Tao (que quer que se seja mole e fraco). Aquele que se põe em oposição ao Tao não tarda a perecer.